Cells at Work (2024): Uma Adaptação Ambiciosa que Emociona, mas Não Supera os Animes

Sou muito fã do universo criado por Akane Shimizu. Cells at Work é uma daquelas obras que fazem você valorizar cada pequena célula do seu corpo. Mais do que uma aula de biologia, a série transmite uma mensagem poderosa: você pode desistir da vida, mas seu corpo não desiste de você. Ele luta até o fim para que você continue vivo. Eu acho isso bem motivador, mas um motivo para continuar nesse plano. 

Depois de assistir às duas temporadas do anime original e também a versão mais sombria Cells at Work: Code Black, fiquei animado com o lançamento do filme em 2024. E agora posso compartilhar minha opinião com vocês.

Uma Adaptação Corajosa

O filme foi uma ótima adaptação dentro de suas limitações de tempo, recursos visuais e proposta narrativa.

Sabemos que seria caro e complexo reproduzir em tela toda a “cidade do corpo humano”, com todos os patógenos, efeitos visuais e a dinâmica frenética que os animes entregam. Além disso, a missão de unir Cells at Work e Code Black em uma única história já era, por si só, um desafio imenso.

A proposta do filme vai além do corpo: mostra também os humanos por trás das células, trazendo um olhar mais humano sobre as consequências das escolhas na saúde, pois entendemos o motivo de suas atitudes.

O Encontro dos Dois Universos

O crossover entre os dois animes foi algo fantástico. Descobrir que os personagens de Code Black habitavam o corpo do pai da protagonista do anime original foi uma sacada genial. A antítese entre os dois mundos — um corpo saudável e outro deteriorado — trouxe reflexões importantes.

Mas, infelizmente, o tempo curto prejudicou o desenvolvimento emocional de ambos os núcleos. Após uma crise do pai, por exemplo, o corpo se recupera rapidamente, e isso mal é mostrado. Faltaram personagens marcantes, como a Glóbulo Branco e o amigo do protagonista de Code Black. Nos animes, nos apegamos mais aos personagens. No filme, esse vínculo foi raso. Não conseguimos ver, porque o Glóbulo Vermelho é um personagem tão incrível. 

Um Vilão Sem o Mesmo Impacto

No anime, até o vilão final tinha camadas emocionais — você até sente compaixão por ele, mesmo estando errados. Já no filme, o vilão parece apressado, sem tempo de tela para construir motivações sólidas. As células ao redor também não reagem como deveriam, não discutem ou contestam, o que no anime sempre foi uma parte importante do conflito.

Havia um debate importante, que poderia ter um paralelo com nossa realidade. Obviamente, ocorria lutas, mas a reflexão é o que deixava tudo mais emocionante (o autor consegue nos deixar triste pela morte de uma célula cancerígena, simplesmente genial).

A Esperança Mais Frágil

Enquanto os animes nos presenteiam com cenas de esperança — como a transfusão de sangue, a recuperação de um corpo sem esperanças ou a luta contra a célula cancerígena — o filme tenta fazer o mesmo, entretando não causa a mesma emoção. A batalha final traz perdas grandes, mas como não criamos vínculos profundos com os personagens, não sentimos tanto impacto emocional.

Se essas mortes ocorressem no anime, fariam mais sentido. Aqui, parecem mal executadas.

Ver personagens morrerem no anime após tantas temporadas faria sentido, porém o filme ficou apressado, não dá tempo de comprar a ideia. 

Conclusão: Uma Boa Obra, Mas Não Insubstituível

O filme é uma boa obra, sim. E a ousadia de unir os dois universos foi uma decisão interessante. Mas essa escolha elevou as expectativas, e o filme acabou querendo entregar drama e profundidade em pouco tempo, sem conseguir construir tudo com o mesmo cuidado dos animes. Os animes, inicialmente, desenvolveram seus personagens com maestria. O filme queria desenvolver personagens de dois mundos distintos e personagens novos, levando em conta, que eles tinham menos tempo.

Vale citar, que as atuações foram incríveis, os atores conseguiram trazer uma boa versão dos personagens, de modo que eu consegui ver as versões animadas sendo representadas no filme.

Além disso, eu esperava algo mais leve, baseado nos episódios simples, cômicos e educativos que fizeram sucesso. Em vez disso, recebi uma história mais apressada, que necessitou condesar bem mais que seus antecessores. Não foi ruim, mas faltou tempo para brilhar, consigo ver facilmente uma trilogia, aí sim, teríamos algo de mesma qualidade. 

No fim, é um filme que eu assistiria de novo, sem dúvidas. Mas para mim, não superou o original.


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